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“A Passarola” faz “antevôo” no festival internacional de teatro de Tondela

O espetáculo de teatro de rua “A Passarola” foi adaptado para o espaço de um auditório e fará o “antevôo” no festival internacional de teatro da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), que arranca no próximo dia 11.

Criado pelo Trigo Limpo, a partir da adaptação do romance “Memorial do Convento”, de José Saramago, o “Antevôo da Passarola” abrirá o 26.º Festival Internacional de Teatro ACERT (FINTA), que se realiza de 11 a 14 de novembro.

A companhia contava estrear este ano “A Passarola”, um espetáculo de teatro de rua com participação comunitária, dando assim seguimento à parceria estabelecida com a Fundação José Saramago, na criação do espetáculo “A Viagem do Elefante”.

“Na impossibilidade de realizar o espetáculo como o tínhamos previsto, devido à pandemia [da covid-19], e uma vez que já tínhamos dado início ao processo de criação, vamos apresentar no FINTA uma antevisão do espetáculo”, explica.

Esta antevisão será apresentada nos dias 11 e 12, pela companhia Trigo Limpo e por mais alguns atores e músicos convidados, e irá consistir numa leitura encenada em que são apresentadas as ideias base da versão de rua.

“Neste espetáculo, aproximamo-nos um pouco mais desse homem que ficou conhecido na história como o `padre voador`”, avança o Trigo Limpo, referindo-se a Bartolomeu de Gusmão, que Saramago evoca no “Memorial do Convento”, na proximidade de Baltasar Mateus, `Sete-Sóis`, e Blimunda Jesus, `Sete Luas`.

A dramaturgia — da responsabilidade de Pompeu José e de Raquel Costa — centrou-se “nos momentos com maior capacidade de teatralização relativos à história da construção, viagem e final trágico da `máquina de andar no ar`”, acrescenta.

O FINTA contará com a participação de duas companhias espanholas: La Rous, de Granada, que apresentará “Hilos”, e “Engruna Teatro”, da Catalunha, com “Loops”.

“Hilos” (dia 13), um espetáculo sobre “vínculos afetos e memória”, segundo a ACERT, aborda a história de uma mãe “que deu à luz catorze filhos ligados a ela por um fio”.

“Viemos ao mundo unidos pelo cordão umbilical que nos liga à nossa mãe de uma maneira única, mas o que acontece depois com esse fio? O cordão é cortado ao nascer, mas o vínculo criado entre as duas partes, como um fio invisível, permanece vivo”, refere.

No dia 14, a companhia de teatro para a infância Engruna Teatro apresentará em palco “música, marionetas e muito mais, num espetáculo sensitivo sobre a passagem do tempo”.

Em “Loops”, as crianças vão encontrar Zig e Zag, duas personagens movidas pela curiosidade, em que “uma simboliza a experiência, a outra, a inexperiência”.

O espetáculo “Anjo”, uma criação de Ángel Fragua, em coprodução com o Teatro de Vila Real, que se inspira numa história verdadeira, encerrará o FINTA, no dia 14.

“Contada na primeira pessoa, a história de uma jovem síria apanhada pela guerra, [é também] a história de tanta gente que viu o seu mundo desabar de um dia para o outro”, refere a ACERT.

No último dia, o programa do festival inclui ainda formação em escrita para teatro, com orientação do escritor e dramaturgo Jorge Palinhos, e a edição de dois textos de teatro que marcaram o percurso do Trigo Limpo, nomeadamente “O adormecer da razão” e “Faldum”.

A ACERT garante que, nesta 26.ª edição, o FINTA alimentará, “de emoções, de memórias, de momentos de descontração e reflexão e de novidades”, quem estiver presente.

“Mais do que nunca, precisamos de ser alimentados de sonhos, de magia, de cumplicidade, de outras vivências”, considera a associação, sublinhando a partilha que existe entre criadores e público.

 

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