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Diocese de Viseu juntou milhares de jovens em Sátão onde a música uniu nações

Milhares de jovens de países como França, Espanha e Canadá reuniram-se hoje na vila de Sátão para um “Arraial Tuga” onde a música e a fé foram o elo de ligação.

“A música portuguesa foi a rainha, mas só por uma hora e pouco, mais à noite, principalmente a popular, para que todos percebam o que é um arraial, De resto, o palco é de todos os que queiram colocar música”, disse o responsável da banda Lusitano.

Toni Almeida adiantou à agência Lusa que “com esta abertura para os jovens colocarem as suas músicas, consegue-se promover a interação entre eles, porque a música é uma língua universal”.

E à medida que os autocarros deixavam mais um grupo de jovens, subia de tom a animação e a “picardia” entre as diversas nacionalidades que se faziam ouvir com cânticos religiosos e com as bandeiras em riste, com “orgulho” no país de origem.

No concelho de Sátão, no distrito de Viseu, ficaram 235 jovens, disse o presidente da Câmara, Alexandre Vaz.

São “maioritariamente franceses” e a língua “não foi um entrave, tendo em conta que se trata de uma região de emigrantes” desse país.

O padre Vitor Gomes é um desses exemplos, filho de pais emigrantes, com raízes em Sátão, e no concelho vizinho de Vila Nova de Paiva, fez toda a sua vida em França, onde nasceu, estudou e se formou padre.

De Bayonne, chegou ao Sátão uma “grande comunidade, centenas de jovens”, tendo em conta a ligação afetiva e familiar de Vitor Gomes e com eles viajou o bispo francês da diocese, Marc Aillet, com 66 anos, que de Portugal só conhecia Fátima.

“Fátima é muito internacional, tem peregrinos de todas as nações. Aqui, é diferente. Vê-se a autenticidade dos portugueses, pessoas muito acolhedoras que recebem de braços abertos e com um enorme coração. São muito genuínos”, disse à agência Lusa.

Outra referência que leva para partilhar junto da sua comunidade é a “hospitalidade e o espírito de família que se vive” nesta região de Portugal e, por isso, disse que “só dá para levar coisas boas” desta experiência.

Animados e mais perto de uma das tendas que tratava de um porco no espeto, estava um grupo da diocese de Cuenca, Espanha, que foi acolhido por famílias de Viseu e à agência Lusa mostrou que aprendeu “palavras bonitas” em português.

Carla Vallejo, Gracia Martinez e Ivan Lucas não pouparam elogios aos portugueses, classificando-os de “muito alegres, sempre a sorrir e muito contentes, com ‘ganas’ [vontade] de agradar e com muito caráter e ao mesmo tempo muito humildes”.

“Somos muito iguais em muitas coisas, afinal somos irmãos e vizinhos do lado e participar nesta jornada está a ser muito bom. É olhar para o outro e ver Deus, ver no outro as qualidades de Deus e estou a gostar muito de estar em Portugal”, destacou Carla Vallejo.

Quem se mostrou muito contente com a presença dos jovens, nomeadamente no concelho de Sátão, foi o pároco José Cardoso de Almeida, “porque nestes últimos dois dias a igreja tem estado cheia”.

“Está repleta dos jovens que vieram para as jornadas e com eles estão também as famílias que os acolheram e ter a igreja assim cheia, desde quarta-feira, tem sido maravilhoso”, acrescentou o pároco.

Foi também no largo “onde a fé e o que une todos estes jovens, e as famílias que os acolheram, se manifesta de diversas formas, quer com sorrisos e abraços como com convites para futuras visitas”, destacou Pedro Resende, que acolheu dois franceses.

“A única coisa que sabíamos ter em comum era a fé em Deus e esta educação e formação cristã e a partir daí temos tudo. A cultura aprende-se de parte a parte e a diferença da língua, hoje em dia, é minimizada com o uso das novas tecnologias”, disse.

Pedro Resende destacou ainda que “os jovens têm uma abertura muito grande para saberem entender” quem lhes fala e os portugueses têm “aquele dom” tão típico do saber desenrascar: “Mesmo falando mal outra língua, acabam por se fazer entender”.

Na Diocese de Viseu, disse à agência Lusa Fernando Chapeiro, da organização, instalaram-se “cerca de dois mil jovens”, juntamente com 12 bispos, provenientes das dioceses de Lyon, Annecy, Bayonne, Perigueux, Bilbao, Cuenca, Jaén, Segóvia, Vitória e Ottawa-Cornwall, ou seja, França, Espanha e Canadá.

 

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