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Covid-19: Carnaval com “dança dos cus” em família e caretos à porta

O Carnaval vai este ano ser vivido de forma diferente em Cabanas de Viriato e em Lazarim, com a tradição da “dança dos cus” a ser cumprida em ambiente familiar e os caretos expostos à porta de casa, respetivamente.

As organizações destes dois festejos tradicionais do distrito de Viseu decidiram marcar a data, mas cumprindo as limitações impostas pela covid-19.

“Basta haver música que logo a vontade consegue encontrar dois ditos cujos para fazerem a dança e isso é o suficiente”, disse à agência Lusa Filipe Rodrigues, da direção da Associação de Carnaval de Cabanas de Viriato, no concelho de Carregal do Sal.

A música a que se refere o dirigente é uma valsa ao som da qual os foliões, alinhados em duas filas, habitualmente vão dançando pelas ruas da vila, batendo com os traseiros nos dos vizinhos do lado quando há uma variação do ritmo.

Este ano, a organização disponibiliza a música, mas a tradição – que remonta a 1865 – terá de ser cumprida dentro de casa.

“Cada família – três, quatro ou cinco pessoas – consegue por a música a tocar em casa e depois dançar. Cada um vai tentar fantasiar-se e depois fazer uma filmagem para por nas redes e podermos interagir”, explicou Filipe Rodrigues.

As redes sociais serão um grande aliado durante este Carnaval, com várias iniciativas “que permitem interagir com as pessoas e não esquecer a data”, acrescentou, aludindo a eventos noturnos e diurnos.

Como é habitual, os moradores de Cabanas de Viriato estão também a engalanar as ruas com enfeites, bandeiras e palhaços.

“De cima a baixo da vila, todos tentam fazer o melhor possível, até porque estão bastante tempo em casa”, contou.

Também nas ruas da pequena aldeia de Lazarim, no concelho de Lamego, se vai notar que é Carnaval, apesar de os caretos (máscaras tradicionais esculpidas em madeira) não poderem andar à solta pelas ruas.

“Todas as festividades estão canceladas, num acordo entre o município e a Junta de Freguesia, e iremos apenas realizar alguns momentos que evocam este evento, como a exposição de caretos à porta de cada um dos moradores”, avançou à Lusa a vereadora da Cultura, Ana Catarina Rocha.

Na aldeia há vários artesãos que, todos os anos, dão forma à madeira, transformando-a em máscaras diabólicas, carrancudas, com orelhas bicudas, barbas, bigodes ou cornos e até a imitar animais.

Este ano é pedido a quem tem máscaras “que fique em casa, mas que à sua porta exponha o tradicional careto”, acrescentou.

Segundo a vereadora, a autarquia vai “lançar um vídeo que mostra toda essa vivência do Entrudo de Lazarim, mas utilizando apenas os recursos telemáticos”.

No interior do Centro Interpretativo da Máscara Ibérica, que se encontra fechado, há uma exposição de máscaras que será mostrada nas redes sociais, acrescentou.

Do programa habitual do Carnaval de Lazarim constavam tradições como o desfile etnográfico no domingo, a leitura pública dos testamentos e a queima da comadre e do compadre na terça-feira.

No fim, havia caldo de farinha e feijoada grátis para todos, oferecidos pela população.

 

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