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ACERT estreia peça que quer fazer refletir sobre efeitos do turismo de massa

A peça “Aloha!”, do Trigo Limpo Teatro ACERT, junta no palco três mulheres, duas atrizes e uma cantora, que durante uma hora querem levar o público a refletir sobre as consequências sociais e ambientais do turismo de massa.

“É um espetáculo com ingredientes muito diversos, desde o cântico simples ao cântico acústico, do teatro físico ao teatro de guião, com texto e é um processo de reflexão do turismo como base de uma economia, como é Portugal”, caracterizou a encenadora.

Maria Torres falava aos jornalistas no final de um ensaio para a imprensa da peça que se estreia sexta-feira e junta no palco as atrizes Ilda Teixeira e Sandra Santos e a cantora Luísa Vieira.
“Aloha!” é um espetáculo sobre viagens, mas que “não se limita ao lado bom” que elas proporcionam como “a riqueza das culturas e a música tradicional dos povos” que se visitam, mas também o outro lado do turismo.

“É um processo de reflexão sobre os prós e os contras, a vontade de viajar e conhecer novas culturas e as condicionantes ecológicas, de poluição, mas também a nível social. O turismo enriquece, mas a que custo?”, apontou Maria Torres.

No entender da encenadora, natural da Galiza, Espanha, “em Portugal, como noutros países, o turismo, se não for limitado, vai acabar por destruir a essência e a autenticidade dos locais e, com isso, o turismo acaba em poucos anos”.

Uma opinião transversal às quatro mulheres e que Ilda Teixeira exemplificou com os bairros de Lisboa que “são tão visitados porque os turistas querem conhecer a alma deles, mas na verdade já quase não têm moradores, os bairros típicos estão a acabar”.

A peça de teatro “é o resultado de toda uma pesquisa muito teórica” sobre o turismo, a que juntaram “textos de marketing de agências de viagens para atraírem turistas e casos reais de viagens” como o mais recente para visitar os destroços do Titanic.

Ilda Teixeira destacou uma cena que tinham sobre “pessoas que procuram grandes experiências, como uma ‘dondoca’ na Faixa de Gaza, ou viagens a Chernobil, que existem mesmo e depois aparece a viagem do submarino” onde acabaram por morrer todos os ocupantes que iam visitar os destroços do Titanic.

“O turismo é das indústrias mais agressivas, também no marketing, e qualquer coisa que possamos imaginar já está feito e estamos a perceber que a realidade supera toda a ficção”, defendeu Ilda Teixeira.

Ao que Maria Torres acrescentou: “Quando achamos que a nossa criatividade vai exagerar o real, a vida real é o próprio exagero do real, então, já não sabemos se a ficção tem de ser mais natural, é complicado o sítio onde estamos a chegar”.

O texto foi construído com “base em milhentos improvisos até chegar à versão final” que usa “a comédia e a ironia como uma estratégia para chegar ao coração e à cabeça dos espectadores”.
“Tem um lado cómico e irónico, porque defendo que para falar com as pessoas não é com julgamentos nem moralidades, porque isso não aceitamos, somos como as crianças, preferimos um ambiente de diálogo”, defendeu Maria Torres.

Um diálogo que conta com canto, essencialmente de Luísa Vieira que tem nesta peça uma “experiência de atriz que há muito era desejada” e que as atrizes Ilda Teixeira e Sandra Santos também “são desafiadas a usar a voz para cantar”.

“É um desafio”, assumiram as três mulheres que em cima do palco falam diversas línguas e vão “fazer refletir também sobre a poluição que o turismo e os milhares de pessoas provocam” nas localidades que visitam.

 

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