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Fotografia Observador

Paulo Ribeiro retoma direção da companhia de dança

O coreógrafo Paulo Ribeiro vai retomar a direção da companhia de dança que fundou em nome próprio, cinco anos após ter saído, e o seu “projeto maior” é torná-la “mesmo numa companhia a sério”, disse à agência Lusa.

“Uma companhia tem de ter um ‘staff artístico’, portanto, o projeto maior é transformar a Companhia numa companhia a sério, mesmo. E não tem de ter uma grande ambição, tem é de ter bailarinos, que é a ambição mínima para capitalizar ao máximo a companhia”, admitiu o coreógrafo, que foi o último diretor do antigo Ballet Gulbenkian e que dirigiu o Teatro Viriato, em Viseu, onde a Companhia Paulo Ribeiro é estrutura residente.

Paulo Ribeiro deverá reassumir a direção desta estrutura de dança, no final do ano.

Em conversa com a agência Lusa, o bailarino e coreógrafo, lembrou que este regresso a casa, numa altura em que apresenta a sua última criação, “Segunda 2”, no Teatro Viriato, este fim de semana, acontece numa altura de “novos ciclos, seja no teatro ou na cidade” de Viseu.

“É com grande expectativa, uma vontade e um gosto enorme que regresso ao palco do Teatro Viriato e à direção da minha companhia de dança”, admitiu o bailarino que saiu em 2016 para assumir a direção artística da Companhia Nacional de Bailado, de onde saiu em 2018.

Os bailarinos São Graça e António Cabrita, que passaram a partilhar a direção da Companhia Paulo Ribeiro, na altura, saem agora, quando “termina o contrato, depois de cumpriram um ciclo de projetos financiados pela Direção-Geral das Artes”, que “costumam ser de quatro anos”.

“Atualmente, na companhia, temos muito estruturas de produção, que vão dando resposta a uma criação, mas não é propriamente uma companhia. É verdade que tem um diretor artístico, mas é muito pouco, porque não temos um elenco fixo, e bastam quatro ou cinco pessoas”, adiantou Paulo Ribeiro.

Com esse número, continuou Paulo Ribeiro, “é possível fazer circular os espetáculos, o que acaba por reduzir os custos, porque havendo maior circulação há mais entradas nas receitas” e permite, igualmente, “ter um repertório mais interessante, até para a região”.

A título de exemplo, Paulo Ribeiro disse que tem “imensas peças que merecem a pena serem montadas e vistas”, e que “podem circular na região, havendo um elenco fixo, sem que haja problemas em coordenar agendas com todos os bailarinos”, como acontece no espetáculo que traz a Viseu.

“Temos a escola Lugar Presente em Viseu, e outras pelo país, onde poderá ser possível misturar finalistas com profissionais, criar uma série de projetos interessantes que se podem fazer para levar a dança mais à vida das pessoas e à dinâmica das cidades e regiões”, defendeu.

Paulo Ribeiro disse que “projetos não faltam” para concretizar neste regresso a Viseu, e são ideias que quer “trabalhar em toda a região envolvente e criar até um movimento à volta do antigo IP5 [Itinerário Principal]”, junto de cidades como Guarda, Aveiro, mas também como Castelo Branco, Covilhã e Coimbra.

“A companhia tem o meu nome, é um projeto de vida, e, nesta altura, o que mais me desafia e interessa é criar, e tenho um gosto enorme em criar e fazer peças”, admitiu o coreógrafo que quer continuar a trabalhar com o Teatro Viriato e com a escola de dança Lugar Presente.

O regresso “é uma feliz coincidência” com “todos os novos ciclos que estão a acontecer na cidade, quer com a nova direção do teatro, [quer] com o novo presidente da câmara”, Fernando Ruas, com quem iniciou a companhia, em Viseu, há 26 anos.

“Infelizmente a pandemia provocou uma baixa de relevo, e é traumático, uma grande tristeza”, afirma, referindo-se à morte do antigo presidente da câmara António Almeida Henriques. “Mas é engraçado regressar a Viseu, novamente com o doutor Fernando Ruas com quem sempre tive uma relação escorreita e sempre correu muito bem, e não deixa de ser interessante, até mesmo incrível, ter escolhido para vereadora uma bailarina”, apontou, referindo-se a Leonor Barata.

A bailarina, que lidera agora o departamento da Cultura na Câmara Municipal de Viseu, é, no entender de Paulo Ribeiro, “uma escolha notável e muito especial” para a cidade que, nos últimos 26 anos, “cresceu imenso e deu um pulo enorme” em termos culturais, sendo hoje “uma das mais relevantes” em termos nacionais.

“Hoje em dia há uma comunidade artística em Viseu enorme, de encenadores a músicos, [assim como] na dança. É fantástico. E há uma apetência e uma dinâmica na cidade com imensas iniciativas muitíssimo interessantes”, concluiu.

Paulo Ribeiro, nascido em Lisboa em 1959, é reconhecido como um dos nomes mais destacados da Nova Dança Portuguesa, que se afirmou a partir da década de 1980, tendo fundado a companhia em nome próprio em 1995. Foi diretor artístico do Ballet Gulbenkian, entre 2003 e 2005, até à extinção desta estrutura, em 1992, e da Companhia Nacional de Bailado (CNB), do final de 2016 a julho de 2018.

Quando foi convidado para a CNB desempenhava as funções de diretor-geral e de programação do Teatro Viriato, em Viseu, que tinha assumido em 1998.

Iniciou a carreira como bailarino em companhias belgas e francesas. Como coreógrafo, estreou-se em 1984, em Paris, com a peça “Solo, meu caro amigo”, para a companhia Stridanse, de que foi cofundador.

De regresso a Portugal, em 1988, começou por trabalhar com a Companhia de Dança de Lisboa e com o Ballet Gulbenkian.

“Segunda 2”, que apresenta este fim de semana em Viseu, é a mais recente criação de Paulo Ribeiro, num percurso marcado por coreografias como “A Festa (da Insignificância)”, “Lídia”, “Sem um tu não pode haver um eu”, “Du Don de Soi”, sobre o cineasta Andrei Tarkovsky, “Desafinado”, “Organic Spirit/Organic Beat/Organic Cage”, “White”, “Tristes Europeus — Jouissez Sans Entraves”, “Memórias de Pedra — Tempo Caído”, “Orock”, “Rumor de Deuses”, “Waiting for Volupia”, “Uma História de Paixão”, “Percursos Oscilantes” e “Taquicárdia”.

Além das companhias que dirigiu, como a CNB e o Ballet Gulbenkian, Paulo Ribeiro trabalhou ainda com estruturas como o Centre Chorégraphique de Nevers, o Nederlands Dans Theater, o Grand Théâtre de Génève e o grupo Dançando com a Diferença, para os quais criou peças originais.

 

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