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O papel da mulher agricultora no interior do país em debate em São Pedro do Sul

O projeto MAIs – Mulheres Agricultoras em Territórios do Interior debate esta quinta-feira o papel feminino nesta atividade assim como a capacitação para maior visibilidade com projetos que envolvem estas profissionais, como é o caso de Maria Alice Marques.

“As mulheres agricultoras são um grupo vulnerável, muito invisível, social e politicamente, em particular devido ao envelhecimento, padrões de produção agrícola, organização social (posse da terra, acesso ao crédito, educação, etc.), a que se somam dificuldades associadas às alterações climáticas, degradação ambiental e acesso a novas tecnologias”, considera o promotor do projeto, o Instituto Politécnico de Viseu (IPV).

O projeto está no terreno desde 2020 e conta com dois grupos focais com mulheres agricultoras de São Pedro de Sul, no distrito de Viseu, e do Sabugal (Guarda), com financiamento do Programa Conciliação e Igualdade de Género do EEA Grants.

“Pretendemos aumentar a participação cívica e associativa das mulheres agricultoras nas regiões do interior, através da sua capacitação, contribuindo para a maior visibilidade do seu papel social e para o aumento da igualdade entre homens e mulheres”, assume, num comunicado, o promotor.

Neste sentido, as autarquias têm realizado reuniões com as mulheres agricultoras que aderiram ao programa, e, esta quinta-feira, realizam um seminário no Balneário Rainha Dona Amélia, nas termas de São Pedro do Sul, que terá transmissão digital.

“Partimos destas rodas de conversa com mulheres agricultoras, para iniciar um processo de co-construção de um caminho de mudança que resultará da vontade destas mulheres em iniciarem um projeto futuro que, a partir da sua valorização, contribua para melhorar as suas condições de vida, aumentar a sua visibilidade e participação no panorama local, regional e nacional”, refere na mesma nota a coordenadora do projeto, Cristina Amaro da Costa.

Entre as oito mulheres que se envolveram no programa em São Pedro do Sul, está Maria Alice Marques, de 66 anos, natural da freguesia de Serrazes, que disse à agência Lusa que começou na agricultura “muito pequena, com os pais” e não consegue estar sem trabalhar as terras.

“É uma terapia. É muito cansativo, mas é uma terapia que se faz, além de que sabemos o que comemos. Para vender, há dias melhores, outros piores. Comecei a vender nas feiras e havia alturas em que não trazia nada para casa”, mas, “outras vezes, vinha quase tudo”, contou esta mulher que coloca na terra “de tudo, não há produto que não cultive”.

Uma situação que a levou, anos mais tarde, a “ficar com uma pequena loja, bem no centro da cidade”, para conseguir ter “alguma rentabilidade”, mas está “cada vez pior, porque o negócio está muito parado e as grandes superfícies conseguem vender mais barato”.

Maria Alice Marques está “a pensar no futuro”, a “avaliar as hipóteses” e inscreveu-se, por isso, neste programa. Não tem faltado às reuniões e está “entusiasmada com a possibilidade de participar no mercadinho” que vai nascer do projeto.

“Temos falado de vários assuntos nas reuniões, como da discriminação da mulher, mas eu nunca me senti discriminada enquanto mulher, acho que é mais desvalorizada a agricultura. Ou somos as duas desvalorizadas, a agricultura e a Mulher em si”, independentemente da profissão, admitiu.

“A agricultura não é valorizada, pelo menos os pequenos agricultores, porque os apoios vão para os grandes [produtores]”, sublinhou.

“Há uns anos ainda havia apoios para quem tinha animais, mas não compensava nada e eu tenho animais, embora só para consumo doméstico, porque não justifica criar para fora. Vai havendo uma ou outra ajudazinha, mas não é nada para as despesas e trabalho que temos”, disse.

Maria Alice Marques tem o apoio do marido, que “deixou o trabalho nas obras há uns anos para ajudar na agricultura e na loja”, e também do filho, que “sempre ajudou, desde pequeno (é desenhador e topógrafo), mas nos tempos livres ajuda muito” nas terras, que são da família há gerações.

“Faço isto, porque gosto e faz-me bem, mas também porque os terrenos são meus”. Se não fossem “não ia pegar em terrenos de ninguém para trabalhar” – não justifica, nem “pelo trabalho, nem pelo que se ganha”, sustentou.

“Otimista por natureza”, Maria Alice Marques está, por isso, “muito confiante no projeto [de criação] do mercadinho” e olha para ele como “a possível solução para decidir o futuro, porque, apesar de não ser velha, são muitos anos a trabalhar duro e, às vezes, o cansaço é grande”, concluiu.

 

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