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Incêndios: Carregal do Sal e Vouzela testam procedimentos para ajudar floresta a recuperar

O uso de sistemas de coleta de nevoeiro na reflorestação de áreas ardidas está a ser testado nos concelhos de Carregal do Sal e de Vouzela, no âmbito do projeto Life Nieblas.

As áreas dos concelhos de Carregal do Sal e de Vouzela abrangidas por este projeto foram atingidos pelos incêndios florestais de outubro de 2017 e integram zonas classificadas.

“A zona de Carregal do Sal está classificada como sendo Rede Natura e a de Vouzela está na área do Parque Natural Local Vouga Caramulo. E, como tal, carecem de uma especial atenção”, justificou o chefe de equipa da Unidade do Ambiente e de Proteção Civil Intermunicipal, André Mota.

O objetivo deste projeto é adotar procedimentos que ajudem a recuperar a floresta, sendo que, no caso destes dois concelhos do distrito de Viseu, integra a instalação de coletores de nevoeiro e respetivos depósitos e a plantação de espécies autóctones (que serão regadas de diferentes formas).

“Neste momento, em Carregal do Sal, a intervenção está praticamente concluída. Já foi feita a instalação dos três coletores (de nevoeiro) e do depósito e já temos efetuada uma plantação com uma área de seis hectares”, contou André Mota, acrescentando que foram plantados 2.200 carvalhos alvarinho e carvalhos negral.

Em Vouzela, foram instalados os dois coletores de nevoeiro e o depósito associado, mas ainda não começaram as operações de plantação.

“Estamos neste momento a iniciar as operações de limpeza dos terrenos da área do projeto”, que são quatro hectares, onde serão plantados 1.800 sobreiros, carvalhos alvarinho e carvalhos negral.

André Mota explicou que as plantações foram divididas por setores, um dos quais se destina “aos ‘cocoons’, que são reservatórios individuais em cada uma das árvores”, biodegradáveis e que, durante o seu período de vida útil, permitem “fazer uma rega mais ou menos constante das árvores”.

“Vamos aplicar 250 ‘coccons’ em Carregal do Sal e mais 250 em Vouzela”, havendo uma zona “que vai ser servida diretamente pela água que está a ser recolhida pelos coletores de neblina”, acrescentou.

Num segundo setor, as árvores terão “coletores individuais de nevoeiro” e, num terceiro, a plantação será feita de forma tradicional, sendo a rega “a que a chuva lhe der”.

“O objetivo será comparar a eficácia de cada um dos setores e tentarmos demonstrar o sucesso do projeto”, frisou o responsável.

O relatório final do projeto “Life Nieblas – Reflorestação e mitigação das alterações climáticas: testes, avaliação e transferência de métodos de inovação baseados na recolha de nevoeiro” deverá ficar pronto durante o ano de 2024 mas, segundo André Mota, já há bons indícios em Carregal do Sal.

“Fizemos toda a instalação naquele período mais seco do mês de fevereiro. No entanto, fiquei bastante satisfeito ao ver que, passados uns dias de termos terminado a instalação dos coletores e do depósito, mesmo não havendo chuva, havia água dentro do depósito”, contou o responsável, acrescentando que seria água “apenas das neblinas da noite e pouco mais”.

O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões, Fernando Ruas, lembrou que este território se situa “numa das manchas florestais mais importantes do país” e, portanto, há que aproveitar estes projetos para potenciar o desenvolvimento.

 

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