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Natal em Janeiro? Claro que sim! Espetáculo em Viseu

Um Outro Natal!
Há mais do que um Natal e este Um Outro Natal chega a Viseu em janeiro e com encenação de Sónia Barbosa.
Entre os dias 24 e 27 de janeiro, o Círculo de Criação Contemporânea de Viseu – Polo 1 acolhe a
peça de teatro Um Outro Natal, com encenação de Sónia Barbosa (Ritual de Domingo). O
espetáculo é agora apresentado ao público depois de ter sido adiado em dezembro por
motivos de doença do ator Ricardo Carneiro.
Quatro apresentações que devolvem ao público o espírito natalício como se ele nunca tivesse
terminado. Em pleno mês de janeiro, o espetáculo reabre um tempo de partilha, memória e
intimidade, prolongando o Natal para lá do calendário e recordando que aquilo que o define
não se esgota com o fim das festas.
Inspirado na obra de Truman Capote, em particular no conto A Christmas Memory, o
espetáculo propõe uma reflexão sobre diferentes formas de viver o Natal, afastando-se da
imagem tradicional da grande reunião familiar à volta de uma mesa farta. De acordo com
declarações da encenadora, a criação parte dessa inspiração literária para questionar ideias
consensuais de família, pertença e partilha. Em cena está um homem que vive sozinho e que
espera alguém a quem gostaria de chamar família, ou algo mais, mas que apenas pode
designar como amigo. Ainda assim, explica Sónia Barbosa, “este é um Natal vivido como tempo
de preparação e de encontro: fazem-se doçarias da época, enfeites, presentes e reencontros
com familiares, reais ou convocados pela memória”.
Segundo a encenadora, Um Outro Natal reflete os muitos Natais que coexistem na sociedade
contemporânea. “Natais de famílias não convencionais, monoparentais ou recompostas; de
famílias de afeto; de pessoas migrantes que misturam tradições; de celebrações à distância
através de videochamadas e também de quem vive o Natal em solidão ou fora das normas
socialmente aceites”.
“Gostaríamos de relembrar que a diferença é a coisa que mais temos em comum”, sublinha
Sónia Barbosa, acrescentando que, apesar das diferenças, existem memórias, afetos e rituais
partilhados que atravessam todas as formas de celebrar e em qualquer altura do ano.
O espetáculo assume-se, assim, como um objeto teatral intimista, que procura oferecer ao
público partilha, memória e afeto.

 

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