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Câmara de Viseu antecipa subsídio aos bombeiros voluntários

O presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, entregou hoje um cheque de 55 mil euros aos bombeiros voluntários, antecipando o pagamento da totalidade do subsídio anual para fazer face às dificuldades financeiras sentidas pela corporação.

O Estado central continua, reiteradamente, a não honrar os seus compromissos para com os bombeiros e, face à situação de tesouraria em que estão, tomámos a decisão de levar à reunião de Câmara a antecipação do subsídio anual”, explicou o autarca aos jornalistas.

Desta forma, o município entregou aos Bombeiros Voluntários de Viseu o subsídio que deveria ser pago em dois momentos do ano.

“Infelizmente, já no ano passado fizemos esta antecipação, por razões idênticas. Este ano também estamos a fazer, porque esta instituição é muito importante para toda a lógica da Proteção Civil do concelho”, justificou Almeida Henriques.

A direção e os funcionários dos Bombeiros Voluntários de Viseu têm-se queixado dos constantes atrasos nos pagamentos do Estado, nomeadamente da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) e dos hospitais.

Na terça-feira, em conferência de imprensa, os funcionários avisaram que, se as dívidas de 87 mil euros não forem pagas até 09 de maio, deixam de fazer o serviço de transporte de doentes não urgentes.

Na opinião de Almeida Henriques, atendendo a que esta situação não se passa só com os bombeiros de Viseu, “era bom que, de uma vez por todas”, o Governo e a Liga dos Bombeiros Portugueses “fizessem um acordo de pagamento a 30 dias”.

“Estes homens e mulheres que prestam serviço nos bombeiros voluntários têm que ter estabilidade no dia-a-dia”, frisou.

No caso de Viseu, o autarca disse que também “era bom que as vozes fossem engrossadas” e que, às da direção e dos bombeiros, se juntassem as dos deputados parlamentares.

“Antevê-se que seja um verão quente. Precisamos que estas pessoas (os bombeiros) estejam concentradas na sua função e não preocupadas se vão ter vencimento ao final do mês ou se conseguem honrar os seus compromissos”, acrescentou.

Luís Laginhas, vice-presidente e responsável financeiro dos bombeiros, contou aos jornalistas que “este mês foi muito complicado”, tendo o salário dos 27 funcionários sido pago em duas vezes.

“Este apoio veio em excelente hora, porque as nossas responsabilidades para com alguns fornecedores já estavam a ficar numa situação muito complicada”, admitiu.

Na conferência de imprensa de terça-feira, os bombeiros disseram que só a ARSC deve cerca de 50 mil euros.

Contactada pela agência Lusa, fonte da ARSC referiu que, atualmente, o valor total de faturação em dívida aos Bombeiros Voluntários de Viseu totaliza 28.835,76 euros.

Luís Laginhas recusou-se a “entrar numa guerra de números”, considerando que o importante é que haja uma mudança de atitude.

“O que não está correto é nós prestarmos um serviço e meses depois ainda não termos recebido. E esta é uma situação recorrente”, lamentou.

Lusa

 

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