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Autarca de Molelos volta a ser detido

Um eleito da Assembleia de Freguesia de Molelos, no concelho de Tondela, voltou a ser detido na última sessão pública, após ter novamente pretendido filmar a reunião para depois reproduzir as imagens num jornal em que é director.

A detenção de Luís Figueiredo, por elementos da GNR de Tondela, ocorreu na quarta-feira à noite, sendo o autarca presente a primeiro interrogatório judicial durante a manhã desta quinta-feira.

O eleito da Assembleia de Freguesia de Molelos já tinha sido detido na sessão de 29 de Dezembro de 2015, quando pretendia gravar a reunião com uma câmara de filmar, para depois reproduzir o conteúdo no jornal Augaciar[publicação trimestral gratuita da Casa do Povo de Molelos], de que é director.

Em Fevereiro deste ano, o Tribunal de Tondela condenou-o a uma pena de multa de 90 dias à taxa diária de 15 euros pelo crime de desobediência ocorrido em finais de Dezembro de 2015.

No mesmo mês, Luís Figueiredo enviou uma participação ao Conselho Superior de Magistratura reportando 13 situações em que o juiz, que o condenou pelo crime de desobediência, “faltou a verdade, desde o início do julgamento até à leitura da sentença”.

Esta sessão da Assembleia de Freguesia de Molelos tinha estado agendada para sábado, dia 23 de Abril, mas acabou entretanto por ser suspensa e adiada para quarta-feira.

O presidente da Assembleia de Freguesia de Molelos, Horácio Rodrigues, suspendeu a sessão alegando perturbação ao seu funcionamento por parte de Luís Figueiredo, que pretendia assumir a cadeira de eleito e gravar com câmara de filmar a sessão.

Na noite desta quarta-feira, o eleito e director do jornal Augaciar voltou a querer assumir a cadeira de eleito e gravar com câmara de filmar a sessão.

A sessão foi suspensa e a GNR foi chamada ao local, acabando por detê-lo, mais uma vez, pelo crime de desobediência, depois de lhe ter sido dado a ordem de desligar a câmara de filmar e este ter recusado acatá-la.

À Lusa, Luís Figueiredo explicou que a detenção ocorreu por ter “desobedecido a uma ordem ilegítima da GNR”.

“Identifiquei-me como director do jornal Augaciar e exibi o cartão de equiparado a jornalista, mas mesmo assim a GNR deu ordem para desligar a máquina de filmar, que não acatei. Detiveram-me e apreenderam-me o material, o que é ilegal, pois não tinham mandato judicial”, relatou.

O eleito sublinhou ainda que voltará a tentar gravar a próxima sessão da Assembleia de Freguesia de Molelos, uma vez que não há qualquer mandato judicial que o impeça de o fazer.

“Tenho o direito de filmar e não vou prescindir desse direito nunca. A detenção só aconteceu por desobedecer à GNR, que deu ilegitimamente uma ordem”, concluiu.

Publico

 

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