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Dia Mundial da Poesia: melhor do que ler é ouvir

Se, cada vez mais, os audiolivros fazem sentido, num mundo em que
fazemos mais do que uma tarefa ao mesmo tempo, ainda mais fazem quando
falamos de poesia, que ganha outra dimensão quando se ouve. Durante
séculos, este foi um género lido, mas sobretudo declamado e cantado e,
claro, ouvido.

Ouvir poesia, através de audiolivros, tantas vezes gravados por vozes
habituadas a declamar poesia, é o regresso a uma tradição secular e
uma alternativa tecnológica a um qualquer evento de leitura ao vivo.
Para quem não se conseguir deslocar a uma leitura ou queira ouvir um
poema específico, o audiolivro é a resposta na ponta do dedo.

A leitura silenciosa tornou-se dominante com a expansão da imprensa,
mas a poesia sempre manteve uma dimensão sonora. Ritmo, cadência,
pausas e entoação fazem parte da sua própria arquitetura. Quando um
poema é ouvido, e não apenas lido, esses elementos tornam-se mais
evidentes. Um verso pode ganhar peso numa pausa inesperada, uma rima
pode revelar-se mais musical, e o significado pode expandir-se através
da interpretação vocal.

É aqui que os audiolivros encontram um território especialmente
fértil. Ao contrário de outros géneros literários, a poesia
beneficia de forma particular da voz humana. Um bom narrador pode
transformar a experiência do poema. A entoação guia a emoção, a
respiração organiza o ritmo e a interpretação oferece novas camadas
de sentido. Muitos leitores descobrem poemas de forma mais intensa
quando os escutam do que quando os encontram apenas no papel.

Pessoas com dificuldades visuais, leitores com pouco tempo para se
dedicar à leitura tradicional ou até aqueles que se sentem intimidados
pela poesia escrita encontram no formato áudio uma porta de entrada
mais imediata. E ouvir poesia enquanto se caminha, conduz ou realiza
tarefas quotidianas pode transformar a literatura numa presença mais
constante na vida diária e, por isso, mais enriquecedora.

Bruno Sambado, Founder & CEO, Tale House

 

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