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Audiolivro vs. livro físico: o fim de uma falsa dicotomia

No Dia Mundial do Livro, celebra-se essencialmente o livro físico como sendo o símbolo máximo da leitura. No entanto, talvez seja este o momento para repensar a ideia de que ouvir um audiolivro não é o mesmo que ler um livro.

Durante muitos anos, a conversa em torno dos audiolivros e dos livros colocava-nos perante uma escolha inevitável: ou se lê ou se ouve. Como se um formato anulasse o outro. Mas esta dicotomia, amplamente difundida, está cada vez mais desajustada da realidade e, sobretudo, da forma como as pessoas consomem histórias. A verdade é simples: os audiolivros não vieram substituir os livros físicos. Vieram, sim, complementá-los, tornando-se numa alternativa viável.

O tempo é cada vez mais escasso e a atenção é disputada por múltiplos estímulos. É aqui que os audiolivros abrem novas possibilidades de contacto com a literatura, uma vez que permitem-nos fazer várias atividades e tarefas, enquanto estamos a ouvir uma história. Mas, mais importante que isso, os audiolivros tornam a leitura mais acessível a públicos que, por diferentes motivos, estavam afastados da leitura, seja por falta de hábito ou dificuldades de leitura.

Mas reconhecer este valor dos audiolivros não implica desvalorizar o livro físico. Pelo contrário. O livro continua a ter um papel insubstituível e para muitos leitores, este é um ritual essencial.

Desta forma, o que está em causa não é uma competição, mas uma complementaridade, até porque há quem opte por ouvir um audiolivro ao mesmo tempo que lê o livro físico.Além disso, há, também, cada vez mais leitores híbridos, ou seja, pessoas que alternam entre formatos consoante o momento e o contexto. Podem começar um livro em papel e continuar a história em áudio durante uma deslocação. Este comportamento não fragiliza a leitura porque não a condiciona. Muito pelo contrário.

Importa também desconstruir a ideia de que ouvir um audiolivro é uma experiência “menor” ou menos envolvente do que ler um livro. E não é assim. Um bom audiolivro não é apenas um texto lido em voz alta, mas uma interpretação. A voz, o ritmo, a entoação e a construção sonora contribuem para dar vida à narrativa, transportando o ouvinte para uma experiência imersiva.

No fundo, esta discussão diz mais sobre a forma como encaramos a leitura do que sobre os formatos em si. Durante muito tempo, valorizou-se uma ideia de leitura associada ao silêncio, à concentração e ao papel. Mas, na realidade, o que importa mesmo não é o formato, mas sim a história.

Assim sendo, talvez esteja na hora de abandonar alguns preconceitos e abraçar uma visão mais aberta e inclusiva da leitura. Livros físicos e audiolivros não competem entre si, como já afirmei, eles complementam-se. O importante é que tanto um formato como o outro permitem que as histórias cheguem às pessoas.

Bruno Sambado, CEO e fundador da Tale House

 

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